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O ano de 1999 foi declarado o Ano Internacional
do Idoso. Naquele ano, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) definiu o seguinte tema para as comemorações do
Dia Mundial da Saúde: "Envelhecimento ativo faz a diferença".
Dessa forma a OMS estava reconhecendo que esta era a chave para que
a população idosa permaneça desempenhando seu papel
na sociedade. O envelhecimento ativo envolve diferentes dimensões
de nossas vidas: física, mental, social e espiritual.
"O envelhecimento é um privilégio e uma conquista
da sociedade. É também, um desafio, o qual terá
impacto sobre todos os aspectos da sociedade no século 21"(OMS,
1999).
O envelhecimento é um processo natural e mesmo desejável,
uma vez que a alternativa, que ninguém quer, é morrer
jovem. Apesar de ser um fenômeno mundial, o envelhecimento ainda
é cercado por muitos mitos que não têm nada a ver
com a realidade. Foi para ajudar a desfazer esta confusão que,
em 1999, a OMS publicou o documento "Envelhecimento: Desfazendo
mitos", cujos aspectos principais passamos a reproduzir a seguir.
- Mito número 1: A maioria dos idosos
vive em países desenvolvidos;
De fato o que ocorre é o contrário. A maioria das pessoas
idosas, mais de 60% delas, vive em países em desenvolvimento.
Existem quase 600 milhões de pessoas idosas no mundo e mais da
metade delas vivem em países em desenvolvimento. Por volta de
2020 existirão cerca de 1 bilhão de pessoas idosas. Mais
de 700 milhões viverão em países em desenvolvimento.
- Mito número 2: Os idosos são
todos iguais;
Na verdade, os idosos constituem um grupo muito diversificado. Muitos
idosos mantêm uma vida ativa e saudável, enquanto alguns
menos idosos têm uma baixa qualidade de vida. A idade das pessoas
depende de um grande número de fatores, incluindo gênero,
etnia, cultura, se o idoso vive num país industrializado ou num
país em desenvolvimento, se vive na cidade ou no campo. Estes
e muitos outros fatores, inclusive a experiência individual, fazem
com que as pessoas sejam cada vez mais diferentes entre si à
medida que a idade avança. Mesmo no que diz respeito a características
biológicas, dois jovens da mesma idade são muito mais
parecidos entre si do que dois idosos.
- Mito número 3: Homens e mulheres
envelhecem da mesma maneira;
Homens e mulheres envelhecem de maneira diferente. Antes de tudo, mulheres
vivem mais do que homens. Parte dessa vantagem feminina com respeito
à expectativa de vida é biológica. Longe de ser
o sexo frágil, elas parecem mais resistentes do que os homens
em todas as idades, mais particularmente na infância. Também
na vida adulta, as mulheres têm uma vantagem biológica.
Por exemplo, pelo menos até a menopausa, seus hormônios
as protegem contra o infarto do miocárdio.
- Mito número 4: Pessoas idosas
são frágeis;
Muito longe de serem frágeis, a grande maioria das pessoas idosas
mantém-se fisicamente rígidas, mesmo nas idades mais avançadas.
Da mesma forma continuam capazes de realizar as tarefas relacionadas
às atividades da vida diária e são parte ativa
da vida comunitária. A capacidade de nosso sistema biológico
cresce durante os primeiros anos de vida até atingir seu ponto
máximo no início da vida adulta e vai decaindo daí.
A velocidade desse declínio é fortemente determinada por
fatores externos relacionados ao estilo de vida do adulto, incluindo
tabagismo, consumo de álcool, dieta e condiçòes
sociais. Por exemplo, a declínio natural da função
cardíaca pode ser acelerado pelo hábito de fumar. Mas
a aceleração do declínio funcional determinado
por fatores externos pode ser revertida em qualquer idade.
- Mito número 5: Pessoas idosas
não têm nada a contribuir;
Na verdade as pessoas idosas dão inúmeras contribuições
às famílias, à sociedade e à economia. A
visão convencional que perpetua este mito tende a focar a participação
na força de trabalho e a redução dessa participação
com o aumento da idade. Muitas vezes, assume-se que a redução
da participação de pessoas idosas em trabalhos remunerados
deve-se ao declínio da capacidade funcional associado com o envelhecimento.
De fato, o declínio da capacidade funcional não significa
de forma alguma incapacidade para o trabalho. Os requisitos físicos
para muitos empregos têm sido reduzidos devido aos avanços
tecnológicos. O fato de haver poucos idosos em trabalhos remunerados
é mais freqüente devido a desvantagens das pessoas idosas
com respeito à escolaridade e treinamento e, principalmente,
devido ao preconceito existente.
- Mito número 6: Pessoas idosas
são uma carga econômica para a sociedade;
As pessoas idosas contribuem de inúmeras formas para o desenvolvimento
de sua sociedade. Este mito talvez esteja sendo reforçado nos
últimos tempos pelas dificuldades de muitos países em
prover seguridade a um número cada vez maior de pessoas que alcançam
idades avançadas.
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